7.6.14

Carta para alguém que acredita

Andar pela vida é como pintar um quadro.

Primeiro você desenha o esboço, imaginando o panorama daquilo que irá percorrer. Por enquanto, a pintura ainda está só na sua imaginação, nas suas intenções e nos seus sonhos.

Então você começa a preparar as suas cores, assim como prepara a coragem para enfrentar os obstáculos e a confiança para seguir em frente. Misturando verde com vermelho e alaranjado com azul, vai descobrindo tons que lhe surpreendem e desvios que não lhe interessam. Assim, prossegue equilibrando o seu pincel e escolhendo e andando por sua vida.

Chega uma hora em que você precisa descansar um pouquinho. A tinta do trecho que é a base da pintura precisa secar, para que você possa continuar pintando os detalhes por cima. Então, você treina a sua paciência e a sua ansiedade, pois para uma pintura ficar bonita, você tem que saber esperar. Depois que os dias se passarem, e os ventos finalmente secarem aquelas cores que são estrutura para as suas pontes, vem a parte mais trabalhosa, mas também a mais emocionante e mais feliz.

Aos pouquinhos, seu pincel vai desabrochando e uma flor surge do que era apenas um borrão de tinta. Você dá mais um passo e sorri ao se encontrar com a felicidade. Você finalmente pode abraçar as visões que lá atrás eram apenas um sonho esboçado.

E assim, sua pintura vai se preenchendo e seu caminho se colorindo. Você vai se descobrindo e ao mesmo tempo encontrando preciosidades e amigos e sentimentos sinceros que lhe fortalecem e empurram para frente. Você não tem mais medo de cair, e se cair, você se levanta e recomeça. Porque pintar permite borrões que podem ser corrigidos, já que não existe pintura feia para aquele que é corajoso.

É isso o que acontece quando se acredita em si mesmo, e em seus pincéis, seus papéis, suas palavras e seus pés que lhe guiam pela estrada que você mesmo constrói. A sua vida, a vida de todos nós, é uma grande aquarela onde todos os sonhos são possíveis desde que acreditemos e busquemos por eles.

Então, você se surpreende com o seu quadro que lhe inspira. Agora, não mais sozinho, viaja em seu barquinho a vela sentindo a brisa roçar seu rosto, rumo à próxima tela em branco, pois essa é a vida que nunca acaba e sempre espera.

Revista Bula